segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Cristo nos Ordena a Fazermos Discípulos


Quando eu entrei no seminário em 1967, a ordem de Jesus em Mateus 28.18-20 para “fazer discípulos” me deixava perplexo. Havia algo de enigmático e misterioso sobre ela, algo que aparentemente apenas uns poucos iniciados podiam compreender. Ao mesmo tempo, as palavras de Jesus exigiam compreensão e ação, o que me levou a uma peregrinação na busca por entender e praticar o “fazer discípulos”. Após trinta e quatro anos de pastorado nos Estados Unidos e, agora, após sete anos como professor de seminário em Uganda, ainda estou aprendendo.

Vejamos juntos três simples questões: (1) O que é um discípulo? (2) Como se fazem discípulos? (3) Que tipos de discipulado existem?

A palavra grega traduzida por discípulo significa aprendiz. Um discípulo é um aprendiz do Senhor Jesus. Um aprendiz é um ouvinte e um praticante. A Grande Comissão é uma ordem para trazer pessoas a Cristo para ouvirem, aprenderem e praticarem. Um discípulo de Jesus se torna o seu aprendiz para sempre.

Entre as coisas que os discípulos devem aprender continuamente de Cristo estão:
  1. Negar a si mesmo e seguir a Jesus com lealdade singular (Lucas 9.23-26; 14.26).
  2. Odiar o pecado e amar a santidade.
  3. Servir e amar a igreja de Cristo com todas as suas imperfeições.
  4. Amar os perdidos e as nações e ter uma paixão pelo avanço do evangelho.
  5. “Adornar” o evangelho de Cristo com boas obras de amor, justiça e misericórdia (Tito 2.10, 12, 14).
  6. Viver pela fé em Cristo e no evangelho (Romanos 1.17).
  7. Regozijar-se no fato de que as exigências humanamente inalcançáveis de uma consciência limpa, um novo coração e um novo poder para viver uma vida santa foram adquiridos e providenciados por Cristo somente, pela graça somente, e de que elas são recebidas por fé somente. Regeneração, justificação e santificação são, todas, dons gratuitos.
  8. Gloriar-se tão somente na cruz e no evangelho e abandonar todo orgulho e autorrealização (Filipenses 3.3-9).
  9. Esperar em Cristo pela glória e pela graça vindouras, uma esperança que sustenta em meio às muitas aflições desta breve jornada pelo “vale da sombra da morte”.
Discípulos se fazem por meio do ministério da Palavra que foi confiado à igreja, incluindo a pregação, o ensino, a evangelização e o aconselhamento. A Palavra ensina, repreende, corrige e educa na justiça (2Timóteo 3.16-17). A Palavra faz discípulos e Cristo faz discípulos por meio da Palavra. Ele usa os seus servos para ministrarem a sua Palavra formalmente – em cultos, escolas dominicais, grupos de estudo bíblico, sessões de aconselhamento, aulas de seminário e missões evangelísticas – ou para pregarem-na informalmente em conversas em qualquer lugar.

Fazer discípulos é, preeminentemente, uma responsabilidade da igreja. Fazer discípulos envolve exortar a partir da Palavra, chamando as pessoas a se tornarem aqueles que aprendem de Cristo; ensinar as pessoas o que Cristo ordenou; ensinar as pessoas a obedecerem a tudo o que Cristo ordenou; ensiná-las a obedecerem no contexto da vida da igreja; e convocar a igreja a chamar todas as nações para que sigam a Cristo e se tornem suas aprendizes.

Vejamos três tipos de discipulado:

Discipulado inicial: é ganhar discípulos por meio da evangelização, trazendo pecadores a Cristo para serem seus aprendizes, por meio de um ato inicial de arrependimento, fé e submissão à graça.

Discipulado normal: acontece na congregação. É ensinar aos crentes tudo o que Cristo ordenou sobre tudo da vida. Crentes famintos, ensináveis e fiéis serão contínuos aprendizes de Jesus à medida que eles se sentam sob a pregação e o ensino da Palavra e se tornam praticantes dela (Tiago 1.22). Eles crescerão na vida de contínua fé, arrependimento, ministério e missão. Eles serão equipados, preparados e enviados para contribuir com a missão de Deus neste mundo, que é fazer discípulos a quem Cristo redimiu de toda nação, edificando a igreja de Cristo entre todos os povos, e chamando-os à plenitude do reino de Deus.

Discipulado restaurativo: é aprender de Cristo a como lidar com os problemas que emergem em virtude da reminiscência e da habitação do pecado. O discipulado restaurativo demanda ensino, reprovação, correção e educação específicos que abordarão esses problemas específicos. Os objetivos do discipulado restaurativo são similares aos objetivos de todo discipulado: tornar o crente novamente útil e levá-lo outra vez a aprender de Cristo humildemente, para que ele se torne semelhante a Cristo em seu coração, conduta e missão.

Trazer pessoas a Cristo para serem seus aprendizes é um chamado sublime e um privilégio. Os homens que fazem discípulos são fracos em si mesmos, contudo eles respondem perante Cristo e, nele, são operantes. Então, em obediência fiel vá e pregue a Palavra. Em última instância, é o Cristo exaltado que faz discípulos, ao fazer a sua Palavra germinar e crescer por meio do seu trabalho. Por meio de você, Cristo vencerá, edificará, equipará, restaurará e enviará aprendizes para fazerem a sua missão neste mundo necessitado.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

42ª AGO – Assembleia Geral Ordinária da CGADB


A Mesa Diretora da CGADB esteve reunida nos dias 09 e 10 de abril de 2014, na cidade de Guarulhos – SP, para tratar de assuntos diversos de competência da Diretoria, dentre os quais:

1. A escolha da bela cidade de Fortaleza, capital do maravilhoso estado do Ceará, para a realização da 42ª AGO – Assembleia Geral Ordinária da CGADB, que acontecerá nos dias 21 a 24 de abril de 2015.

1.1. Tema Central da 42ª AGO:

UNIDOS EM CRISTO EDIFICAMOS UMA FAMÍLIA MELHOR. Salmo 128
Preletores: Pr. Álvaro Álen Sanches – MG, Pr. Perci Fontoura – PR, Pr. Elienai Cabral – DF, Pr. Roberto José dos Santos – PE e Pr. José Antonio dos Santos – AL.

1.2. Período de inscrições:
- O período de inscrições para a 42ª AGO, será de 03 de novembro a 23 de dezembro de 2014 conforme constará do Edital de Convocação, as quais, serão realizadas através do pagamento de boleto bancário a ser disponibilizado no site da CGADB.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

LEVANTE-SE BELÉM!!!


Um tempo atrás vimos um Brasil se “despertar” e sair às ruas com um grito que estava sufocado por anos. Parecia o início de um novo tempo e movimento, o qual poderia ter alcançado resultados significativos. Hoje percebemos que as expectativas não foram alcançadas plenamente, gerando poucas mudanças (ou nenhuma, inclusive na mentalidade). Naqueles dias, em 2013, ecoava que o gigante havia acordado, e de fato ele acordou. Mas para que o gigante mostre sua força e grandeza, ele não pode apenas acordar, precisa se levantar e andar!

Hoje vivemos dias em que a nova geração “se levanta” por muitas coisas e causas, umas nobres outras nem tanto. E você? Pelo que você se levanta? Chegou a hora de nos levantarmos juntos por aquilo que cremos, para adorar e servir aquele que virá nas nuvens para julgar e reinar para sempre, o Rei dos reis e Senhor dos Senhores. Até que Ele venha precisamos assumir um posicionamento de cidadãos do Reino de Deus, os quais não só gritam, mas agem.

João Batista , primo de Jesus, levantou-se para anunciar o Reino de Deus e a vinda de Jesus; levantou-se para viver uma vida diferente de todos daquela época; decidiu viver no deserto, sem conforto, sem “badalações”, sem muita comida e nada de roupas de “marca”. Ele tinha uma certeza: seu chamado era anunciar e preparar o caminho para aquele que ser tornaria o Salvador do mundo. Agora é nosso tempo! Endireitar e preparar o caminho para o retorno do Rei, ainda que sejamos uma “voz do que clama no deserto” (Mt 3.3).

Vamos nos levantar para de fato vivermos a Palavra! Vamos nos levantar pelas crianças, pela Verdade, pela justiça, pelo amor, pela reconciliação, pelo perdão, pelos perdidos, por aqueles que sofrem, pelos famintos, pelos refugiados em países em guerra, pelos corações aflitos e para que o Reino de Deus venha!

Que no ano de 2015 possamos juntos, numa só voz declarar: “Senhor, me levanto por ti.”

Um abraço!

Hélio Júnior - KKI Brasil

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Congresso Jovem do Palavra da Vida Norte

Congresso Jovem 2014 - Palavra da Vida Norte
Tema: Semelhantes a Cristo

está chegando e ainda temos vagas!
Não deixe de participar!!! Dias 14, 15 e 16 de novembro de 2014!

Inscrições no 3724-1382.

Fonte: http://www.pvnorte.com.br/

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Somente

“Somente” (em latim, “sola”). Esta palavra indica unicidade e exclusividade. Nos mares bravios do século 16, Lutero se apropriou dela para deixar bem claro o que defendia. Assim, surgiram as “solas”: “Sola Fide”, “Sola Scriptura”, Sola Gratia”, “Solus Christus” e, posteriormente, “Soli Deo Gloria”. Para comemorar hoje os 497 anos da Reforma Protestante, disponibilizamos ilustrações destas cindo “solas” para você guardar na memória e compartilhar com seus contatos e amigos. Quase todas estas ilustrações também têm links para artigos que explicam melhor o que significam.

Fonte: http://ultimato.com.br/sites/blogdaultimato/2014/10/31/somente-e-somente/

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

# Oração por Paz em Belém

A nossa melhor arma hoje é a oração, vamos nos colocar como intercessores da nossa cidade. Faça sua parte e deixe que o Senhor tome o seu lugar aqui *.*

"E procurai a paz da cidade, para a qual fiz que fôsseis levados cativos, e orai por ela ao Senhor: porque na sua paz vós tereis paz". Jeremias 29: 7

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

As 95 Teses de Martinho Lutero

por Martinho Lutero

Em 31 de Outubro de 1517, Martinho Lutero afixou na porta da capela de Wittemberg 95 teses que gostaria de discutir com os teólogos católicos, as quais versavam principalmente sobre penitência, indulgências e a salvação pela fé. O evento marca o início da Reforma Protestante e representa um marco e um ponto de partida para a recuperação das sãs doutrinas. 

Movido pelo amor e pelo empenho em prol do esclarecimento da verdade discutir-se-á em Wittemberg, sob a presidência do Rev. padre Martinho Lutero, o que segue. Aqueles que não puderem estar presentes para tratarem o assunto verbalmente conosco, o poderão fazer por escrito.

Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Amém.

1ª Tese - Dizendo nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo: Arrependei-vos...., certamente quer que toda a vida dos seus crentes na terra seja contínuo arrependimento.
2ª Tese - E esta expressão não pode e não deve ser interpretada como referindo-se ao sacramento da penitência, isto é, à confissão e satisfação, a cargo do ofício dos sacerdotes.
3ª Tese - Todavia não quer que apenas se entenda o arrependimento interno; o arrependimento interno nem mesmo é arrependimento quando não produz toda sorte de modificações da carne.
4ª Tese - Assim sendo, o arrependimento e o pesar, isto é, a verdadeira penitência, perdura enquanto o homem se desagradar de si mesmo, a saber, até a entrada desta para a vida eterna.
5ª Tese - O papa não quer e não pode dispensar outras penas, além das que impôs ao seu alvitre ou em acordo com os cânones, que são estatutos papais.
6ª Tese - O papa não pode perdoar divida senão declarar e confirmar aquilo que Já foi perdoado por Deus; ou então faz nos casos que lhe foram reservados. Nestes casos, se desprezados, a dívida deixaria de ser em absoluto anulada ou perdoada.
7ª Tese - Deus a ninguém perdoa a dívida sem que ao mesmo tempo o subordine, em sincera humildade, ao sacerdote, seu vigário.
8ª Tese - Canones poenitendiales, que não as ordenanças de prescrição da maneira em que se deve confessar e expiar, apenas aio Impostas aos vivos, e, de acordo com as mesmas ordenanças, não dizem respeito aos moribundos.
9ª Tese - Eis porque o Espírito Santo nos faz bem mediante o papa, excluído este de todos os seus decretos ou direitos o artigo da morte e da necessidade suprema.
10ª Tese - Procedem desajuizadamente e mal os sacerdotes que reservam e impõem aos moribundos poenitentias canonicas ou penitências para o purgatório a fim de ali serem cumpridas.
11ª Tese - Este joio, que é o de se transformar a penitência e satisfação, Previstas pelos cânones ou estatutos, em penitência ou penas do purgatório, foi semeado quando os bispos se achavam dormindo. 12ª Tese - Outrora canonicae poenae, ou sejam penitência e satisfação por pecadores cometidos eram impostos, não depois, mas antes da absolvição, com a finalidade de provar a sinceridade do arrependimento e do pesar.
13ª Tese - Os moribundos tudo satisfazem com a sua morte e estão mortos para o direito canônico, sendo, portanto, dispensados, com justiça, de sua imposição.
14ª Tese - Piedade ou amor Imperfeitos da parte daquele que se acha às portas da morte necessariamente resultam em grande temor; logo, quanto menor o amor, tanto maior o temor.
15ª Tese - Este temor e espanto em si tão só, sem falar de outras coisas, bastam para causar o tormento e o horror do purgatório, pois que se avizinham da angústia do desespero.
16ª Tese - Inferno, purgatório e céu parecem ser tão diferentes quanto o são um do outro o desespero completo, incompleto ou quase desespero e certeza.
17ª Tese - Parece que assim como no purgatório diminuem a angústia e o espanto das almas, nelas também deve crescer e aumentar o amor.
18ª Tese - Bem assim parece não ter sido provado, nem por boas ações e nem pela Escritura, que as almas no purgatório se encontram fora da possibilidade do mérito ou do crescimento no amor.
19ª Tese - Ainda parece não ter sido provado que todas as almas do purgatório tenham certeza de sua salvação e não receiem por ela, não obstante nós termos absoluta certeza disto.
20ª Tese - Por isso o papa não quer dizer e nem compreende com as palavras “perdão plenário de todas as penas” que todo o tormento é perdoado, mas as penas por ele impostas.
21ª Tese - Eis porque erram os apregoadores de indulgências ao afirmarem ser o homem perdoado de todas as penas e salvo mediante a indulgência do papa.
22ª Tese - Pensa com efeito, o papa nenhuma pena dispensa às almas no purgatório das que segundo os cânones da Igreja deviam ter expiado e pago na presente vida.
23ª Tese - Verdade é que se houver qualquer perdão plenário das penas, este apenas será dado aos mais perfeitos, que são muito poucos.
24ª Tese - Assim sendo, a maioria do povo é ludibriada com as pomposas promessas do indistinto perdão, impressionando-se o homem singelo com as penas pagas.
25ª Tese - Exatamente o mesmo poder geral, que o papa tem sobre o purgatório, qualquer bispo e cura d'almas o tem no seu bispado e na sua paróquia, quer de modo especial e quer para com os seus em particular.
 26ª Tese - O papa faz muito bem em não conceder às almas o perdão em virtude do poder das chaves (ao qual não possui), mas pela ajuda ou em forma de intercessão.
27ª Tese - Pregam futilidades humanas quantos alegam que no momento em que a moeda soa ao cair na caixa a alma se vai do purgatório.
28ª Tese - Certo é que no momento em que a moeda soa na caixa vêm o lucro e o amor ao dinheiro cresce e aumenta; a ajuda, porém, ou a intercessão da Igreja tão só correspondem à vontade e ao agrado de Deus.
29ª Tese - E quem sabe, se todas as almas do purgatório querem ser libertadas, quando há quem diga o que sucedeu com Santo Severino e Pascoal.
30ª Tese - Ninguém tem certeza da suficiência do seu arrependimento e pesar verdadeiros; muito menos certeza pode ter de haver alcançado pleno perdão dos seus pecados.
31ª Tese - Tão raro como existe alguém que possui arrependimento e, pesar verdadeiros, tão raro também é aquele que verdadeiramente alcança indulgência, sendo bem poucos os que se encontram.
32ª Tese - Irão para o diabo juntamente com os seus mestres aqueles que julgam obter certeza de sua salvação mediante breves de indulgência.
33ª Tese - Há que acautelasse muito e ter cuidado daqueles que dizem: A indulgência do papa é a mais sublime e mais preciosa graça ou dadiva de Deus, pela qual o homem é reconciliado com Deus.
34ª Tese - Tanto assim que a graça da indulgência apenas se refere à pena satisfatória estipulada por homens.
35ª Tese - Ensinam de maneira ímpia quantos alegam que aqueles que querem livrar almas do purgatório ou adquirir breves de confissão não necessitam de arrependimento e pesar.
36ª Tese - Todo e qualquer cristão que se arrepende verdadeiramente dos seus pecados, sente pesar por ter pecado, tem pleno perdão da pena e da dívida, perdão esse que lhe pertence mesmo sem breve de indulgência.
37ª Tese - Todo e qualquer cristão verdadeiro, vivo ou morto, é participante de todos os bens de Cristo e da Igreja, dádiva de Deus, mesmo sem breve de indulgência.
38ª Tese - Entretanto se não deve desprezar o perdão e a distribuição por parte do papa. Pois, conforme declarei, o seu perdão constitui uma declaração do perdão divino.
39ª Tese - É extremamente difícil, mesmo para os mais doutos teólogos, exaltar diante do povo ao mesmo tempo a grande riqueza da indulgência e ao contrário o verdadeiro arrependimento e pesar.
40ª Tese - O verdadeiro arrependimento e pesar buscam e amam o castigo: mas a profusão da indulgência livra das penas e faz com que se as aborreça, pelo menos quando há oportunidade para isso.
41ª Tese - É necessário pregar cautelosamente sobre a indulgência papal para que o homem singelo não julgue erroneamente ser a indulgência preferível às demais obras de caridade ou melhor do que elas.
42ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, não ser pensamento e opinião do papa que a aquisição de indulgência de alguma maneira possa ser comparada com qualquer obra de caridade.
43ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos proceder melhor quem dá aos pobres ou empresta aos necessitados do que os que compram indulgências.
44ª Tese - Ê que pela obra de caridade cresce o amor ao próximo e o homem torna-se mais piedoso; pelas indulgências, porém, não se torna melhor senão mais seguro e livre da pena.
45ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que aquele que vê seu próximo padecer necessidade e a despeito disto gasta dinheiro com indulgências, não adquire indulgências do papa. mas provoca a ira de Deus.
46ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se não tiverem fartura , fiquem com o necessário para a casa e de maneira nenhuma o esbanjem com indulgências.
47ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, ser a compra de indulgências livre e não ordenada.
48ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa precisa conceder mais indulgências, mais necessita de uma oração fervorosa do que de dinheiro.
49ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos, serem muito boas as indulgências do papa enquanto o homem não confiar nelas; mas muito prejudiciais quando, em consequência delas, se perde o temor de Deus.
50ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que, se o papa tivesse conhecimento da traficância dos apregoadores de indulgências, preferiria ver a catedral de São Pedro ser reduzida a cinzas a ser edificada com a pele, a carne e os ossos de suas ovelhas.
51ª Tese - Deve-se ensinar aos cristãos que o papa, por dever seu, preferiria distribuir o seu dinheiro aos que em geral são despojados do dinheiro pelos apregoadores de indulgências, vendendo, se necessário fosse, a própria catedral de São Pedro.
52º Tese - Comete-se injustiça contra a Palavra de Deus quando, no mesmo sermão, se consagra tanto ou mais tempo à indulgência do que à pregação da Palavra do Senhor.
53ª Tese - São inimigos de Cristo e do papa quantos por causa da prédica de indulgências proíbem a Palavra de Deus nas demais igrejas.
54ª Tese - Esperar ser salvo mediante breves de indulgência é vaidade e mentira, mesmo se o comissário de indulgências, mesmo se o próprio papa oferecesse sua alma como garantia.
55ª Tese - A intenção do papa não pode ser outra do que celebrar a indulgência, que é a causa menor, com um sino, uma pompa e uma cerimônia, enquanto o Evangelho, que é o essencial, importa ser anunciado mediante cem sinos, centenas de pompas e solenidades.
56ª Tese - Os tesouros da Igreja, dos quais o papa tira e distribui as indulgências, não são bastante mencionados e nem suficientemente conhecido na Igreja de Cristo.
57ª Tese - Que não são bens temporais, é evidente, porquanto muitos pregadores a estes não distribuem com facilidade, antes os ajuntam.
58ª Tese - Tão pouco são os merecimentos de Cristo e dos santos, porquanto estes sempre são eficientes e, independentemente do papa, operam salvação do homem interior e a cruz, a morte e o inferno para o homem exterior.
59ª Tese - São Lourenço aos pobres chamava tesouros da Igreja, mas no sentido em que a palavra era usada na sua época.
60ª Tese - Afirmamos com boa razão, sem temeridade ou leviandade, que estes tesouros são as chaves da Igreja, a ela dado pelo merecimento de Cristo.
61ª Tese - Evidente é que para o perdão de penas e para a absolvição em determinados casos o poder do papa por si só basta.
62ª Tese - O verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus.
63ª Tese - Este tesouro, porém, é muito desprezado e odiado, porquanto faz com que os primeiros sejam os últimos.
64ª Tese - Enquanto isso o tesouro das indulgências é sabiamente o mais apreciado, porquanto faz com que os últimos sejam os primeiros.
65ª Tese - Por essa razão os tesouros evangélicos outrora foram as redes com que se apanhavam os ricos e abastados.
66ª Tese - Os tesouros das indulgências, porém, são as redes com que hoje se apanham as riquezas dos homens.
67ª Tese - As indulgências apregoadas pelos seus vendedores como a mais sublime graça decerto assim são consideradas porque lhes trazem grandes proventos.
68ª Tese - Nem por isso semelhante indigência não deixa de ser a mais Intima graça comparada com a graça de Deus e a piedade da cruz.
69ª Tese - Os bispos e os sacerdotes são obrigados a receber os comissários das indulgências apostólicas com toda a reverência.
70ª Tese - Entretanto têm muito maior dever de conservar abertos olhos e ouvidos, para que estes comissários, em vez de cumprirem as ordens recebidas do papa, não preguem os seus próprios sonhos.
71ª Tese - Aquele, porém, que se insurgir contra as palavras insolentes e arrogantes dos apregoadores de indulgências, seja abençoado.
72ª Tese - Quem levanta a sua voz contra a verdade das indulgências papais é excomungado e maldito.
73ª Tese - Da mesma maneira em que o papa usa de justiça ao fulminar com a excomunhão aos que em prejuízo do comércio de indulgências procedem astuciosamente.
74ª Tese - Muito mais deseja atingir com o desfavor e a excomunhão àqueles que, sob o pretexto de indulgência, prejudiquem a santa caridade e a verdade pela sua maneira de agir.
75ª Tese - Considerar as indulgências do papa tão poderosas, a ponto de poderem absolver alguém dos pecados, mesmo que (cousa impossível) tivesse desonrado a mãe de Deus, significa ser demente.
76ª Tese - Bem ao contrario, afirmamos que a indulgência do papa nem mesmo o menor pecado venial pode anular o que diz respeito à culpa que constitui.
77ª Tese - Dizer que mesmo São Pedro, se agora fosse papa, não poderia dispensar maior indulgência, significa blasfemar S. Pedro e o papa.
78ª Tese - Em contrario dizemos que o atual papa, e todos os que o sucederam, é detentor de muito maior indulgência, isto é, o Evangelho, as virtudes o dom de curar, etc., de acordo com o que diz 1Coríntios 12.
79ª Tese - Afirmar ter a cruz de indulgências adornada com as armas do papa e colocada na igreja tanto valor como a própria cruz de Cristo, é blasfêmia.
80ª Tese - Os bispos, padres e teólogos que consentem em semelhante linguagem diante do povo, terão de prestar contas deste procedimento.
81ª Tese - Semelhante pregação, a enaltecer atrevida e insolentemente a Indulgência, faz com que mesmo a homens doutos é difícil proteger a devida reverência ao papa contra a maledicência e as fortes objeções dos leigos.
82ª Tese - Eis um exemplo: Por que o papa não tira duma só vez todas as almas do purgatório, movido por santíssima' caridade e em face da mais premente necessidade das almas, que seria justíssimo motivo para tanto, quando em troca de vil dinheiro para a construção da catedral de S. Pedro, livra um sem número de almas, logo por motivo bastante Insignificante?
83ª Tese - Outrossim: Por que continuam as exéquias e missas de ano em sufrágio das almas dos defuntos e não se devolve o dinheiro recebido para o mesmo fim ou não se permite os doadores busquem de novo os benefícios ou pretendas oferecidos em favor dos mortos, visto' ser Injusto continuar a rezar pelos já resgatados?
84ª Tese - Ainda: Que nova piedade de Deus e dó papa é esta, que permite a um ímpio e inimigo resgatar uma alma piedosa e agradável a Deus por amor ao dinheiro e não resgatar esta mesma alma piedosa e querida de sua grande necessidade por livre amor e sem paga?
85ª Tese - Ainda: Por que os cânones de penitencia, que, de fato, faz muito caducaram e morreram pelo desuso, tornam a ser resgatados mediante dinheiro em forma de indulgência como se continuassem bem vivos e em vigor?
86ª Tese - Ainda: Por que o papa, cuja fortuna hoje é mais principesca do que a de qualquer Credo, não prefere edificar a catedral de S. Pedro de seu próprio bolso em vez de o fazer com o dinheiro de fiéis pobres?
87ª Tese - Ainda: Quê ou que parte concede o papa do dinheiro proveniente de indulgências aos que pela penitência completa assiste o direito à indulgência plenária?
88ª Tese - Afinal: Que maior bem poderia receber a Igreja, se o papa, como Já O faz, cem vezes ao dia, concedesse a cada fiel semelhante dispensa e participação da indulgência a título gratuito.
89ª Tese - Visto o papa visar mais a salvação das almas do que o dinheiro, por que revoga os breves de indulgência outrora por ele concedidos, aos quais atribuía as mesmas virtudes?
90ª Tese - Refutar estes argumentos sagazes dos leigos pelo uso da força e não mediante argumentos da lógica, significa entregar a Igreja e o papa a zombaria dos inimigos e desgraçar os cristãos.
91ª Tese - Se a Indulgência fosse apregoada segundo o espírito e sentido do papa, aqueles receios seriam facilmente desfeitos, nem mesmo teriam surgido.
92ª Tese - Fora, pois, com todos estes profetas que dizem ao povo de Cristo: Paz! Paz! e não há Paz. 93ª Tese Abençoados sejam, porém, todos os profetas que dizem à grei de Cristo: Cruz! Cruz! e não há cruz.
94ª Tese - Admoestem-se os cristãos a que se empenhem em seguir sua Cabeça Cristo através do padecimento, morte e inferno.
95ª Tese - E assim esperem mais entrar no Reino dos céus através de muitas tribulações do que facilitados diante de consolações infundadas.